
A vida parou, ou eu que cheguei ao fim da estrada? Não diviso mais à
minha frente nada que me possa sentir que valha a pena continuar. Tantos e tantos anos de caminhada, onde ficaram? Perdidos no tempo e no espaço. Será que meus rastros já sumiram? E o dos que se foram antes de mim, como se a vida fosse uma lâmpada acesa que se apaga quando falta a luz? Digo sempre para os meus, que penso já ter nascido velha, porque todas as alegrias que surgem vêm com misto de tristeza.
É mal dos poetas e dos que preferem aliviar suas dores e frustrações na palavra escrita. Desde meus quinze anos, sempre escrevia às escondidas, com vergonha de mostrar o que se passava dentro de mim. Alguém entenderia? A jornada foi longa, ao lado de um companheiro de trinta e três anos; seguimos juntos, com os quatro filhos que a vida nos deu. Agora estou exilada. Não posso deixar a casa sem que algúem me leve, Não é que esteja impossibiltada de sair; com a graça de Deus, apesar da safena que já dura dez anos, gozo de perfeita saúde, de mente corpo e espírito.
Este exílio deveria estar escrito no meu destino, pois me faz lembrar os três longos anos que passei num internato sem nem tirar férias e receber visita uma vez por mês.
As coisa mudaram por lá, felizmente, mas na minha época, dos dez aos treze anos, o regime das freiras que comandavam era muito severo. Vejo agora os menores criminosos que passam este mesmo período em "funabens" e exigem para eles os Direitos Humanos.
Mas, continuando a minha cartase~, Gritarei como a canção das que mais gosto de ouvir, cantada por Julio Iglesias: "Me olvidé de vivir" Não há mais tempo para pensar em mim. Sinto saudades da família, com os filhos solteiros. As mesas postas com carinho, para o desjejum, almoço e jantar, Dou graças ao meu Deua, porque as minhas noras são excelentes filhas. Talvez eu esteja transbordante de tristeza e amargura, justamente por estar dividindo com uma delas, a Lena, a dor que ela sente pela perda recente da mãe, que chegou ao fim da estrada, apesar de ser tão moça ainda. Chega de lamentos, já falei demais. E a vida continua...vivi a vida dos outros e não há mais tempo de viver a minha. Apenas aguardo o portão que se abrirá na hora em que faltar luz. Quem estará me esperando?!!!

Um comentário:
querida, quando você diz que viveu a vida dos outros, que nada mais há à sua frente, sinto que é verdade que a dor partilhada com a lena possa ter causado uma pequena depressão. veja que família você construiu, como o relcaionamento entre vocês é lindo. os livros que escreveu, a vida que partilhou com seu jorge e o bem que ambos se fizeram.
veja que o exílio só existe quando somos expatriadas de nós mesmas . tenho certeza de que isto não aconteceu com você. talvez, neste momento de spleen , esteja dizendo como o fez pessoa: "o poeta é um fingidor/ finge tão perfeitamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente".
eu a considero uma privilegiada. gozar do vento, dos sons, perfumes e ruídos desta terra linda de itaipuaçu, poder pegar um livro e ler, ter a família em volta, com a sensibilidade que sempre marcou sua vida. poder ler um livro, escrever mais outros,aprender a usar a internet e saber desfrutar do que ela tem de agradável. veja este site como é bom: http://cafehistoria.ning.com. participe que irá gostar.
a vida pode parecer sem sentido. parece, mas não é. talvez seja a hora de relembrar os bons momentos, neste blog que você tem, o relacionamento com a família par e passo com a história do brasil e do mundo, verificar várias geografias que a memória percorreu... a história individual é a verdadeira história, não a oficial, a que se busca em fontes cartoriais. contar sua história é enriquecer de dados a história da vida. tenho certeza de que, sendo você quem é, hoje seu dia está pleno de sentido e soluções. continue mais do que sempre sendo mãe para lena. não que venha a substituir a mãe que a trouxe no ventre. mas carinho, nestes momentos, e afinal, sempre, é fundamental, e isto, minha querida regina, você é mestra e doutora.
conte seus casos de hoje e de ontem para nos enriquecer e aos que a lêem.
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