sábado, 12 de abril de 2008

04/2008 13:39 -

ENCONTRO DE TEMPESTADES

Começarei hoje, entre prosas diárias, a deixar cair aqui e ali, alguns versos que estavam guardados no fundo do baú da minha juventude.

ENCONTRO DE TEMPESTADES

Lá fora o vento uiva furioso

Árvores vergam num sinistro gozo

Nuvens de pó sufocam nossa alma.

À rua saio, alheia, oprimida

Na fúria da Tormenta atraída

Em meio ao Furacão, buscando calma!

Começa a chuva; em pingos, lentamente

Molhando, refrescando a alma da gente

Carícia tão fugaz que me seduz.

E a Tempestade que do céu emana

Com a Procela do meu ser, se irmana

E seguem juntas procurando Luz.

A primeira falou:

“Eu varro montes e sacudo mares

Impiedosa, até devasto lares

Lembrando aos homens que eles nada são.

No Vendaval arrasto pecadores

Que amedrontados, lançam seus clamores

Que perdem-se nos ecos do trovão!”

A segunda contestou:

“A minha fúria é outra, não se escuta.

É amargura, desespero e luta

De estar num mundo desprezível e vil.

É ver o ser humano derrotado

Ferindo um ao outro, enjaulado

Num antro de infâmia, seu covil!

Minha revolta é surda, é incontida

É contra o que é belo, o que tem vida

E acumula tanta podridão!

Não tenho o teu poder de trovejar

De meter medo e depois cessar

Limpando as nuvens, clareando o chão!”

Agora a Tempestade já serena

Despede-se. E a tarde fica amena

Deixando em tudo, um ar satisfeito

E a chuva de lágrima dos meus olhos

Teve o poder de dissipar abrolhos

Cessando a Tempestade do meu peito!!

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