ENCONTRO DE TEMPESTADES
Começarei hoje, entre prosas diárias, a deixar cair aqui e ali, alguns versos que estavam guardados no fundo do baú da minha juventude.
ENCONTRO DE TEMPESTADES
Lá fora o vento uiva furioso
Árvores vergam num sinistro gozo
Nuvens de pó sufocam nossa alma.
À rua saio, alheia, oprimida
Na fúria da Tormenta atraída
Em meio ao Furacão, buscando calma!
Começa a chuva; em pingos, lentamente
Molhando, refrescando a alma da gente
Carícia tão fugaz que me seduz.
E a Tempestade que do céu emana
Com a Procela do meu ser, se irmana
E seguem juntas procurando Luz.
A primeira falou:
“Eu varro montes e sacudo mares
Impiedosa, até devasto lares
Lembrando aos homens que eles nada são.
No Vendaval arrasto pecadores
Que amedrontados, lançam seus clamores
Que perdem-se nos ecos do trovão!”
A segunda contestou:
“A minha fúria é outra, não se escuta.
É amargura, desespero e luta
De estar num mundo desprezível e vil.
É ver o ser humano derrotado
Ferindo um ao outro, enjaulado
Num antro de infâmia, seu covil!
Minha revolta é surda, é incontida
É contra o que é belo, o que tem vida
E acumula tanta podridão!
Não tenho o teu poder de trovejar
De meter medo e depois cessar
Limpando as nuvens, clareando o chão!”
Agora a Tempestade já serena
Despede-se. E a tarde fica amena
Deixando em tudo, um ar satisfeito
E a chuva de lágrima dos meus olhos
Teve o poder de dissipar abrolhos
Cessando a Tempestade do meu peito!!

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