domingo, 24 de janeiro de 2010

Encontro de Tempestades

Encontro de Tempestades

( Meu carro-chefe)

Lá fora o vento uiva furioso!
Árvores vergam num sinistro gozo!
Nuvens de pó sufocam nossa alma!
À rua eu saio, alheia e oprimida,
Na fúria da Tormenta, atraída,
Em meio ao Furacão, buscando calma!

Começa a chuva. Em pingos, lentamente,
Molhando, refrescando a alma da gente,
Carícia tão fugaz que me seduz!
E a Tempestade que do Céu emana,
Com a procela do meu ser, se irmana,
E seguem juntas procurando luz!

A primeira falou:
“Eu varro montes e sacudo mares!
Impiedosa até devasto lares,
Lembrando aos homens que eles nada são!
No Vendaval arrasto pecadores,
Que amedrontados lançam seus clamores,
Que perdem-se nos ecos do Trovão!”

A segunda contestou:
“A minha fúria é outra, não se escuta!
É amargura, desespero e luta,
De estar num mundo desprezível e vil!
De ver o ser humano derrotado,
Ferindo um ao outro, enjaulado,
Num Mundo de infâmia, seu covil!

Minha revolta é surda, é incontida!
É contra o que é belo, o que tem vida,
E acumula tanta podridão!
Não tenho o teu poder de trovejar,
De meter medo e depois cessar,
Limpando as nuvens, clareando o chão!”

Agora, a Tempestade já serena,
Despede-se. E a tarde fica amena,
Deixando em tudo um ar satisfeito!
E a chuva de lágrimas dos meus olhos,
Teve o poder de dissipar abrolhos
Cessando a Procela do meu peito!!!

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