quarta-feira, 7 de outubro de 2009

quem tem medo da velhice?

Quem tem medo da velhice?
Regina lagos

Conheci uma senhora, que aos noventa e três anos, mesmo sentada permanentemente em uma poltrona, passava os seus dias ouvindo música religiosa ou, copiando nos cadernos que mais tarde oferecia aos seus filhos, lindos poemas e pensamentos que lhes tocavam a alma. E, como cantava.! Era dotada por Deus de uma belíssima voz.
Não fora feliz no seu primeiro casamento que durara “bodas de prata,” pelos ciúmes insanos de seu marido; tivera abortos espontâneos, e perdera alguns filhos mais tarde.
Quando alguém lhe perguntava:
– Como vai, d. Marietta?
A resposta não se fazia esperar:
– Eu, sempre muito jovem! Meu espírito não envelhece nunca!
Em contraponto... uma amiga, que passara a sua mocidade, sempre ativa, trabalhando, que, como a primeira, também tivera perdas preciosas em suas vidas,– Quem não as têm?– permanecia aos oitenta anos, no seu leito de dor, lastimando-se, porque o seu Deus não se lembrava dela, levando-a de uma vez desse mundo mau.
Hoje em dia, parece-me que tudo mudou. A mídia passou a enaltecer a velhice, chamando-a de melhor idade, programando eventos como passeios, ginásticas, bailes, etc...
Os cirurgiões plásticos dedicam-se a lutar contra a natureza, tentando dar elasticidade ao rosto das mulheres que não aceitam, o que a natureza lhes impõem.
É o ciclo vital que vai se encerrando, deixando bem claro que não haverá mais volta; que nos faz ver a extensão do caminho que ficou para trás sem que houvéssemos dado conta disso.
Assistimos por programas de TV, idosos, sendo espancados barbaramente, longe dos seus, por pessoas não muito jovens, que são pagas para cuidá-las.
E as famílias, que por falta de amor ou paciência, os deixaram assim, podem mirar-se nesse espelho de dor e abandono em que reflete o seu próprio futuro.
Alguns jovens de hoje, atordoados por excesso de liberdade, vivem perigosamente sem pensar no amanhã da velhice, que surge a cada dia, sorrateiramente, sufocando idéias e calando vozes,
É preciso, como a d. Marieta citada acima, ter o seu espírito preparado, de bem com Deus e o carinho de três gerações, para crer que no desfecho final, após o peso da longa caminhada, outra estrada se abrirá, sem perdas ou desvios, numa só direção: A vida eterna!

Nenhum comentário: