sábado, 4 de julho de 2009

) Inverno da Justiça

O Inverno da Justiça

É inverno, são quatro horas da manhã; o céu reluta em acender a sua luz. Há gente saindo de seus lares, driblando o frio para enfrentar mais um dia de trabalho.
Chego à varanda.; ainda está escuro; olho para o alto, e que vejo?.. Uma estrela solitária, com todo o seu brilho, querendo expulsar a noite, como se preparasse o caminho para o poderoso chefão, o Sol.
É um encantamento fugidio, pois logo após, ao clarear-se o dia, desaba sobre nós a escuridão dos acontecimentos, através da mídia, e nos faz sentir pequenos, impotentes, fazendo parte de um escalão do povo, cujo único poder é o voto obrigatório.
Até lixos em containeres, estamos importando. E por quê?! É o que nós mais temos no País. Os detritos materiais e morais nos são mostrados a cada instante e nos faz corar de vergonha.
Já faz tempo que políticos da estirpe de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Bilac Pinto, Fernando Ferrari, Lucio Bittencourt, Hamiltom Xavier, Roberto Silveira (pai) e muitos outros não surgem no Cenário Nacional;
Até quando ficaremos neste inferno dantesco? Vendo os três Poderes de nossa Pátria, sem ter forças ou aptidões para deslanchar ou descobrir o rumo certo a tomar, precisando de opiniões populares?
Onde estão as cabeças pensantes e os olhos abertos deste “País das Maravilhas,” que deixam os hospitais à míngua; as escolas públicas com seus prédios desconfortáveis, despejando alunos sem capacidade para enfrentar a vida?.
Os criminosos que voltam para as celas são quase sempre os mesmos que lá já estiveram várias vezes e, que com o beneplácito das leis, conseguem de algum modo a sua liberdade.
Os juízes abarrotados de trabalho, sequer dão conta das pirâmides de processos que se acumulam nas prateleiras. De quando em vez, há um mutirão de advogados percorrendo presídios, para saber se existem presos que já estão com suas penas cumpridas, mas continuam lá, mofando, superlotando cadeias em forma desumana, na melhor escola da bandidagem.
Os advogados que saem formados das Faculdades e enfrentam provas da OAB, que talvez os mais experientes não passassem, dificultando o seu início de vida profissional. Experiência só se adquire com a prática em qualquer setor.
Mas... e os médicos??? Fazem também alguma prova semelhante para exercer a profissão? Sabemos que praticam em estágios, especializam-se também; mas em compensação, trabalham com a vida do ser humano; e uma grande parte deles, comete erros que levam os pacientes ao óbito, e que são mostrados diariamente pela mídia falada escrita e televisada.
Portanto, Senhores responsáveis pela frustração de tantos jovens, que saem de uma Faculdade de Direito, com sonhos de seguirem em frente, revejam por favor a atitude que tomaram! A bela profissão dos bacharéis em Direito tem apenas a função precípua de que todo o cidadão tem o Direito à Defesa.
Façam antes as averiguações dentro dos Estabelecimentos do Ensino, para que jovens possam formar-se em paz e não se submetam a esta prova, que cada vez mais dificulta os passos da nossa Justiça que já anda em passos lentos.

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