( Fugindo do Baú)
Providência (Regina Lagos)
Em sombria tarde de rude inverno,
Ao vê-lo andar em direção ao rio,
Notei-o bem; tinha o olhar tão terno
E o corpo todo a tiritar de frio.
Segui de perto o vulto tão gentil;
Tudo ao redor em neve se tornava...
O menino num gesto tão sutil
Pude ver feliz, que ajoelhava...
Deixando desprender dos lábios seus
Umas frases tristíssimas a Deus:
“Paizinho bom, eu venho aqui de novo
P’ra te lembrar o que aconteceu
Naquele dia triste do Ano-Novo
Quando a mãezinha, pálida, morreu.
E agora, Pai do Céu, como há de ser?
Sinto frio...não tenho o que vestir
Não tenho onde morar, onde dormir...
Paizinho bom, eu venho suplicar
A Tua proteção ao meu penar.”
Conter as minhas lágrimas, não pude.
Voltou-me o anjo o seu olhar dolente
Eu então, num gesto quase rude,
Contra o meu peito o apertei fremente.
Agora quem chorava era só eu
Buscando forças para consolar
Aquele garotinho, tão sozinho,
Admirado ao me ver chorar.
E, para vê-lo livre à dor atroz,
Tentava consolá-lo à meiga voz:
Deus te ouviu meu bem, não chores mais,
O teu sofrer bem sei que é profundo
Mas o Jesus a quem chamando estás,
Não te abandonará em pleno mundo!
A tua prece, garotinho triste,
Moveu a mão de Deus que é puro amor
E o fez ver que neste mundo existe
Uma alma pura cheia de fervor!
Agora vamos, triste garotinho,
Sigamos juntos ao teu novo ninho!
E aquele lindo anjo de inocência
Sem saber explicar o que sentia
Olhou a correnteza com insistência
Parecendo entregar sua agonia.
E outra vez aos céus voltou o olhar
Agradecendo a Deus, a minha ajuda
Numa sincera prece singular
Numa atitude calma estranha e muda.
Chamei-o então; Já rompia a Aurora!
Partimos juntos pela vida afora!!!
Boas festas .. um feliz 2019 a todos!
Há 7 anos

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