segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Dia de Finados

Dia de Finados

Ontem, foi um dia triste, nublado, poluído de tristezas e saudades. Essa atmosfera sombria, como não podia deixar de ser, refletiu-se em minha alma, deixando-me depressiva. Chorei por todos os meus mortos queridos e que me fazem tanta falta. Chorei por não ter mais a capacidade de defender os meus filhos das intempéries do dia a dia, como quando eram pequenos; chorei pelas crianças indefesas que sofrem em mãos dos monstros modernos; e por fim, chorei por mim mesma, e pelo que resta de mim.
Descobri que sou uma criatura urbana, que tenho prazer em sentir ao meu redor, o burburinho de uma cidade que não seja “desvairada;” que o ar puro de um lugarejo, me sufoca e me enche os pulmões do mofo da terra molhada. Até o mar bravio que me encantou e meteu medo, afastou-se de mim. Já não o vejo mais.
Permaneci a sós, doze anos, morando num apartamento em Icaraí, e durante todo esse tempo, não derramei uma lágrima sequer. A solidão que sinto agora, jamais me fez companhia; alegrava-me em saber que havia pessoas por perto.
Adoro a Natureza; mas o silêncio que faz barulho, me apavora. Não suportaria viver numa Fazenda por mais de quinze dias.
Procuro satisfazer o meu espírito, olhando esse céuzão de Itaipuaçu, quando se ameniza o vento e saio do meu quarto para buscar luz.
Agora, desfruto de companhias: foi o que tive a minha vida inteira; justo por isso, aprecio o estar só; mas não tanto, ao ponto de, sequer ter vizinhos. O ânimo de discutir critérios e disciplinas, não existe mais. Deixo-me levar ao sabor das coisas que condeno e não as posso mudar. Os valores são outros, não consigo acompanhá-os e aceitá-los tornando-me assim uma cúmplice do descompasso dos tempos.
E, ao final desse dia tristonho, me vem à memória, o grande poeta Carlos Drummond de Andrade :
E agora Regina? Fecharam-se as saídas. Apagaram-se as luzes.A mocidade acabou!
E agora Regina???

Nenhum comentário: