Momentos de “Fama”
Todos nós, neste mundo de Deus, já tivemos os nossos minutos de fama;
ou fazendo bonito, ou pagando mico.
Aos dez anos de idade, era “metida” a saber ler. E, em voz alta, para quem quisesse ouvir, ia cometendo as minhas barbaridades na grafia de minha época de infância: astimático, niquiterói, parmácia, bronchite, e muitos outros vocábulos, o que despertava o riso da família.
Gostava também de decorar poesias, que me faziam realmente um miquinho de circo quando chegava alguma visita. Até hoje, lembro-me que recitava um poema de Capistrano de Abreu, que não me recordo mais o nome, e que começava mais ou menos assim: “Eram vizinhos na roça........e o Chico ventania dono do sítio queimados...
E foi assim, pela vida afora, com vários intervalos. Já aos dezoito anos, declamava em igreja evangélica, até em casamentos que lá se realizavam.
Mas, os efêmeros minutos de glória que a mim, me pareceram horas, deu-se na Faculdade de Direito de Niterói, num Congresso da Igreja batista, com muitas e muitas pessoas; e, sentadas no palco, bem atrás de mim, figuras importantes da nossa sociedade; entre elas, o militar graduado de nosso Exército, Mário Barreto França, escritor e autor da poesia, “As Duas Pátrias” que eu deveria declamar.
Deu-se então dentro de mim, ao ver o auditório repleto, um pavor inexplicável; dado que, o aparato que se formou, fez com que todos esperassem algo grandioso: pois entrou hasteando a Bandeira do Brasil, Norma, a minha sobrinha, na época uma adolescente. Minha irmã Ocirema, também jovem, que era, e ainda é uma exímia pianista, sentou-se ao piano iniciando os acordes do Hino nacional.
Todos ficaram de pé e não se sentaram mais até ao fim do meu último suspiro. Sim, porque enquanto percorria “As Duas Pátrias,” uma terrena e a outra celestial, numa viagem que durou mais de dez minutos, eu não me sentia ali; as palavras saiam sem precisar pensar, nem sabia o que estava dizendo, se por acaso eu parasse, não haveria “ponto” que me ajudasse a aterrar.
Mas felizmente, vieram os aplausos da platéia cansada, e, pasmem! Até saiu no “O Fluminense.”
Esta fase de declamadora, me fez chegar mais intimamente a grandes poetas, especialmente a Castro Alves, do qual, não sei quantas vezes repeti as “Vozes da África.”
No entanto, meu ambiente restrito de platéias, pois não existia ainda no Brasil, sequer televisores, não deixou rastros; também, porque eu não era tão boa assim.
Mil novecentos e cinqüenta, o ano da Graça, deu início ao meu casamento, e pôs fim às minhas declamações. Mas me proporcionou também, uns minutos de glória, ao entrar vestida de noiva, numa igreja com muitas testemunhas, para começar a nova vida, com o homem que escolhi até que a morte nos separasse.
Além de ler muito, havia ainda o meu lado oculto de gostar de escrever, em especial, poesias; que nem os meus, se atreviam a lê-las. Não gostava de exibi-las, mesmo porque, havia um grande intelectual ao meu lado, ao qual eram devidas todas as honras: o Senhor meu marido.
Enviuvei. O vazio e a saudade, me fizeram voltar para as letras. Tomei coragem e publiquei às minhas expensas, pela Editora Shogum Arte, “As Rosas de Vovó Regina,” dedicada aos meus netos. Foram mais uns minutos gostosos que a vida me proporcionou, quando, numa tarde de autógrafos, entre amigos, no centro cultural do Campo de São Bento em Icaraí, deixava o meu nome e o meu carinho, nos exemplares de quem os adquiria.
Agora, para preencher os alongados dias de minha existência, releio livros nunca publicados, e abasteço os blogs que me fazem extravasar os sentimentos, as minhas opiniões, e que ajudam a passar o tempo indefinido que não sei quando terminará. Só os Céus saberão. Enquanto isso, sigo com a minha Máxima: “Deus, só é encontrado, se for Buscado.” E isso me faz buscá-Lo todos os dias para que se lembre de nós. Nos dê Sabedoria e Paz.
Boas festas .. um feliz 2019 a todos!
Há 7 anos

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